terça-feira, 16 de agosto de 2011

AXN extrapola limite do bom senso ao omitir legenda

Há algumas semanas, o AXN – canal do mesmo grupo do Sony, ambos transmitidos na TV paga – vem exibindo a série Law & Order – Criminal Intent, às segundas-feiras à noite, com pouca legenda ou sem absolutamente nada. E não é um problema novo.

Até algum tempo atrás, o AXN "somente" omitia as legendas no início de cada bloco, ao voltar do intervalo. Nunca contei o tempo, mas talvez fosse coisa de 1 a 2 minutos. Parece que era um ensaio para os mais recentes episódios, em que blocos inteiros são exibidos sem tradução alguma.

Mesmo quem tem bom conhecimento de inglês é prejudicado. Primeiro porque, se a pessoa está concentrada para traduzir, a legenda atrapalha nos momentos em que resolve aparecer. Segundo porque muita gente, como eu, tem que ver televisão à noite com o volume baixo, às vezes totalmente no zero, para não acordar a família. Nesse caso, sem a legenda, fica impossível assistir ao programa.

Os erros, é claro, não acontecem apenas em Law & Order – Criminal Intent, muito menos são exclusivos do AXN – Warner e o próprio Sony são campeões de reclamação quando o assunto é legendagem ruim. Mas o que vem se passando no canal 34 da Net extrapola qualquer limite do bom senso.

A ausência de legendas é o ápice da falta de respeito dos canais pagos com o telespectador/assinante, que já tem a sensação de estar queimando dinheiro ao se deparar com longos e repetitivos intervalos comerciais – em que as emissoras anunciam sempre os mesmos programas de sua própria grade – e os horários vendidos aos "TV Shoppings" da vida.

Esse assunto já rendeu muitas reportagens nos veículos que trabalham com televisão. O jornalista Ricardo Feltrin, do UOL, disse até que já procurou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável por fiscalizar as emissoras. Segundo ele, o órgão governamental não demonstrou qualquer interesse em reverter a situação.

Sendo assim, fico me perguntando o que nós, consumidores, podemos fazer. Cancelar a assinatura não parece a melhor solução, já que a TV aberta, com seus Faustões, Gugus, Fazendas e BBBs, reduz cada vez mais a qualidade de sua programação. Algo que, indiscutivelmente, não acontece na TV paga, em que sobram bons programas. Ruim é a forma como eles são exibidos pelas filiais brasileiras de muitos canais.

sábado, 30 de julho de 2011

Capitão América enfim ganha filme digno do personagem

CRÍTICA DE FILME
● Capitão América – O Primeiro Vingador




Acabei de assistir a Capitão América – O Primeiro Vingador no cinema e gostei bastante do que vi. Sou suspeito, porque é o meu herói favorito, mas posso dizer, sem medo de estar exagerando, que, no universo dos filmes Marvel, só perde para os dois Homem de Ferro.

O maior mérito do filme, sem dúvida, é retratar o Capitão América sem patriotismo exagerado. Ele é, sim, um super-herói americano, mas a serviço de seu país na 2ª Guerra Mundial, e apenas isso. Aliás, a ambientação anos 40 é outro dos vários pontos positivos do longa dirigido por Joe Johnston. Também vale destacar os efeitos especiais – sobretudo a caracterização de Chris Evans antes de se tornar um supersoldado, nos moldes do que foi feito em O Segredo de Benjamim Button – e a própria atuação do ator, surpreendente. Evans, que não convencera como o Tocha Humana de Quarteto Fantástico, está ótimo no papel de Capitão América.

Outro que também aparece muito bem no filme é Tommy Lee Jones, que interpreta o general Chester Phillips, responsável pelos poucos – e bons – momentos cômicos. Por outro lado, Hugo Weaving decepciona como o Caveira Vermelha, não lembrando nem de longe o agente Smith de Matrix. O Howard Stark – pai de Tony Stark, o Homem de Ferro vivido por Robert Downey Jr. – de Dominic Cooper é mais um que não convence.

Joe Johnston poderia ter explorado um pouco mais os momentos de ação, as habilidades do Capitão América – como o uso do escudo – e os confrontos com o Caveira Vermelha. Mas, em compensação, criou um filme de super-herói diferente dos padrões, mais próximo de uma aventura épica à la Indiana Jones, com uma boa trama e um roteiro bem amarrado. E ainda preparou muito bem o terreno para o filme dos Vingadores, que estreará em 2012.

Depois do tosco mas até divertido longa de 1990, enfim o Capitão América ganha, nas telonas, um filme digno do personagem. Para a alegria dos fãs, como eu.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Assaltaram a gramática

Na internet, a língua portuguesa é mais bombardeada que o Iraque e o Afeganistão juntos. E de onde mais se espera o bom exemplo é de onde não vem nada mesmo.

Esses dias, postei aqui a indigesta salada mista com “x” escrita no Blog do Bonequinho, página de cinema do site do jornal O Globo. Eis que hoje, no mesmo site, lendo o blog de Patrícia Kogut, que fala de TV, deparo-me com a seguinte manchete:

“Após três dias internado, Elias Gleiser já está em casa de repouso”. O título me fez compadecer do ator, que, já idoso, parecia estar em uma dessas “casas de repouso”, para a terceira idade, talvez porque não tivesse alguém para cuidar dele. Nada disso. Elias Gleiser, na verdade, estava em sua própria casa, de repouso, ou seja, descansando, como fica claro ao ler o restante da matéria. A dúvida surgiu por que faltava uma vírgula no título: “Após três dias internado, Elias Gleiser já está em casa, de repouso”. Ou melhor ainda: “Após três dias internado, Elias Gleiser já está de repouso em casa”.

Dificilmente erros grotescos como esses sairiam publicados num jornal impresso. Apesar de estar em expansão, o jornalismo digital ainda é preterido pelos grandes veículos de comunicação, se comparado ao seu irmão de papel, apesar de as empresas ganharem dinheiro com a publicidade on-line que nos impõem.

A verba talvez ainda seja pouca, mas nem isso, nem qualquer característica do meio digital, justifica as aberrações encontradas todos os dias nos sites de jornais e revistas.

PS: Depois que escrevi sobre o erro, na parte de comentários dos leitores, o blog de Patrícia Kogut colocou a vírgula da discórdia no título. Mas isso foi mais de seis horas depois da postagem da matéria. E o meu comentário não foi publicado!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dez músicas sobre amizade

No Dia do Amigo, comemorado hoje, 20 de julho, selecionei dez canções que falam sobre este nobre sentimento. São 6 estrangeiras - sendo duas do Queen - e 4 nacionais, incluindo "O Amigo", linda música do cantor gospel Sérgio Lopes. Enjoy!

Friends will be friends - Queen



You're my best friend - Queen



Ben - Michael Jackson



With a little help from my friends - The Beatles



You've got a friend - James Taylor



That's what friends are for - Dionne Warwick, Gladys Knight, Stevie Wonder e Elton John



Fotografia - Leoni e Leo Jaime



Amigo - Roberto Carlos e Erasmo Carlos



Canção da América - Milton Nascimento



O Amigo - Sérgio Lopes

terça-feira, 19 de julho de 2011

Plugin insere propaganda da Record no site do jornal O Globo

Como eu disse mês passado, no post Complete a frase, a tecnologia, sem a intervenção humana, pode ser um desastre. Mas também pode ser muito divertida.

O Blog do Bonequinho do jornal O Globo usa um plugin do Busk.com que lista notícias relacionadas a determinado assunto – no caso, cinema. O problema é que "as últimas notícias sobre qualquer assunto", como diz a propaganda do plugin, podem ser também de qualquer um, até mesmo de seu maior concorrente.

No screenshot aí embaixo, à direita do post sobre o filme "Não se preocupe, nada vai dar certo", de Hugo Carvana, aparece o favicon do R7.com, portal de notícias da Rede Record, num link sobre a refilmagem de "O Juiz" ("Judge Dredd", no original), cuja primeira versão foi protagonizada por Sylvester Stallone.

Se o plugin não permite personalização, só resta ao Globo não usá-lo mais, ou então engolir as aparições de sua arquirrival. Mas, se a opção escolhida for a segunda, não precisa ser a seco: para acompanhar, tem uma indigesta salada mista com "x".

sábado, 16 de julho de 2011

Stevie Wonder e eu confirmados no Rock in Rio IV

Quando eu pensava que 2011 estava completo no quesito "grandes shows", depois da arrebatadora e inesquecível apresentação de Paul McCartney no Engenhão, eis que a organização do Rock in Rio IV – até então com line-up meia-boca – anuncia mais um dia de festival, 29 de setembro, tendo como atração principal ninguém menos que Stevie Wonder.

Qualquer adjetivo abaixo de gênio é pouco para definir Stevie Wonder, verdadeiro baluarte da música negra americana e um dos meus maiores ídolos. Lembro que certa vez, numa empresa em que trabalhei, um colega achou estranho quando toquei um set list só com músicas de SW. Ele disse algo como "nunca vi ninguém fazer uma coletânea com músicas de Stevie Wonder".

Pois é, eu fiz. Uma seleção com mais de 30 músicas, e só coisa boa: "Isn’t she lovely", "My chery amour", "For once in my life", "Superstition", "Ebony & ivory" (épico dueto com Paul McCartney), "As" (uma das mais espetaculares músicas de SW, embora pouco badalada, que ganhou ótima releitura com George Michael e Mary J Blige), "For your love", "I Just called to say I love you", "Overjoyed" (outra que dispensa comentários), "Ribbon in the sky", "You are the sunshine of my life", só para citar algumas.

O anúncio de Stevie Wonder já seria suficiente, mas ainda tinha mais. Diferentemente, por exemplo, da abertura do Rock in Rio IV – que terá Elton John "mais 10", como se diz no futebol – o 29 de setembro não será data de uma única estrela. As outras atrações incluem grandes nomes da música internacional, como Jamiroquai e Joss Stone. Entre os brasucas, dois encontros prometem: Marcelo Bonfá e Dado Villa Lobos, que tocarão o repertório da Legião Urbana com convidados, acompanhados da Orquestra Sinfônica Brasileira, e quatro "filhos de peixe": Diogo Nogueira (filho de João Nogueira), Davi Moraes (Moraes Moreira), Max de Castro e Wilson Simoninha (Wilson Simonal), que certamente farão todos dançar no Baile do Simonal.

Ainda falta definir um nome para o line-up, mas, desde já, o 29 de setembro é o melhor dia do Rock in Rio IV. Eu já comprei o meu ingresso. Encontro você lá.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Paul McCartney in Rio: I saw him standing there

Há algumas horas, assim que saí do Engenhão, depois de assistir ao show de Paul McCartney – o primeiro dele no Rio de Janeiro em 21 anos – minha euforia era tanta que a vontade era de gritar e dizer mil palavrões. Acho que era muita emoção contida, ainda não extravasada, mesmo após quase 3 horas de apresentação, somada a um cansaço extremo de horas a fio em pé (coluna, pernas e pés pedindo arrego). Segurei um pouco a onda, para não pagar mico, mas, na quilométrica fila para pegar o trem, não deu mais pra segurar, o coração explodiu, e eu mandei um “p@#!, eu viiiiiiiiiiiiiiiiii”!!!

Com o mico pago e a euforia baixada, a minha maior sensação depois do show é a de dever cumprido, de ter passado por uma etapa obrigatória na vida. Daqui a 5, 10, 20, 30 anos, vou poder dizer ao meu filho: eu vi o maior músico do mundo. Não haverá outro Paul McCartney, e eu sinceramente acho que, a despeito de todo o vigor do ex-beatle, aos 68 anos, não haverá outra chance de vê-lo no Brasil (espero estar errado!). Citando um ídolo que não pude ver, Elvis Presley, era agora ou nunca.



Num Engenhão com ótimo sistema de som, Paul começou a apresentação um pouco mais de 10 minutos atrasado, com “Hello Goodbye”. Até meados da noite, o show alternava momentos mais empolgantes, sobretudo nas músicas dos Beatles, com outros contemplativos, quando Sir Paul tocava seus “lados B”. Isso até “Band on the Run”, um dos melhores momentos do show, iniciar a catarse coletiva. A partir daí, foi uma sequência incansável de sucessos, com destaque para “Hey Jude”, em que um grupo de pessoas da plateia vip segurava cartazes que diziam “na”, somando-se ao coro da multidão. Sons e imagens que certamente ficarão registrados na mente do público como uma fotografia.

A plateia, aliás, deu um show à parte em todo o tempo: cantou todas as músicas, jogou bolas coloridas, acendeu luzes, pulou e respondeu às brincadeiras de Paul, que, como um maestro, regia a multidão. Não foi à toa que, num determinado momento, ele fez uma citação à música clássica. Macca era um regente perfeito. À frente de um quarteto “fabuloso” – com destaque absoluto para o competente e carismático baterista – o jovem senhor desfilou um set list com nada menos que 33 músicas (com direito a dois bis), empunhou a bandeira brasileira, vestiu uma camisa da seleção com seu nome escrito e fez 45 mil brasileiros parecerem estar numa grande aula de inglês.

“Something”, “The Long and Widing Road”, “Get Back”, “Live and Let Die” (com o já conhecido mas sempre surpreendente festival pirotécnico), “Let It Be”, “Yesterday” e “Helter Skelter” foram mais alguns grandes momentos de uma noite mágica, única, inesquecível, para a qual sobram adjetivos e emoção. E quando todos pensaram que já tinham visto tudo, uma chuva de papel picado, nas cores verde, amarela e azul, encerrou a noite – a essa altura já madrugada – de forma apoteótica, quase carnavalesca.

Os vídeos e as fotos vão ajudar a eternizar a noite de 22 de maio de 2011. Mas, na verdade, são desnecessários. Quem esteve lá não vai se esquecer jamais.


sábado, 9 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2: um soco no estômago com luvas de boxe

Ainda estou assimilando o soco no estômago que levei há pouco, quando acabou a sessão das 21h30 (lotada, como todas da estreia do cinema aonde fui) de Tropa de Elite 2. Eu e algumas pessoas ensaiamos aplausos ao final, mas o silêncio traduzia melhor a perplexidade de todos diante da grande verdade do filme, do Rio e do Brasil: o sistema é muito forte, quase invencível, e somos nós que o sustentamos. Talvez muita gente tenha consciência dessa verdade, mas ninguém até hoje, pelo menos que eu saiba, teve coragem de jogá-la no ventilador tão publicamente, sem poupar quem quer que seja. Nem é preciso dar nome aos bois para fazer o paralelo da ficção com a vida real.

Como filme de ação, achei que o original superou a sequência, até mesmo porque tinha o fator novidade. Mas a mensagem de TE2 é mais profunda, entra nas nossas tripas, dá um nó, fecha e joga a chave fora. O novo Tropa aproxima-se ainda mais da realidade porque derruba as próprias dicotomias que estabeleceu, no filme anterior, entre polícia e bandido, PM e Bope, honesto e corrupto, ampliando o leque da discussão. O traficante, o viciado e o policial desonesto continuam sendo culpados, mas há algo muito maior por trás deles, o tal sistema, diante do qual, em tempos de eleição, eu faço a pergunta: será que adianta somente mudar as peças do xadrez se o problema está no tabuleiro?

Por outro lado, acho que os responsáveis pelo filme, ao mesmo tempo em que criticam o sistema, ajudam a reforçá-lo, exibindo TE2 depois do 1º turno das eleições. Até entendo que existam motivos e interesses para isso, e não acho que a data de exibição influenciaria em alguma coisa, mas não deixa de ser uma pena. Pela reação da plateia, não foi só em mim que o filme causou a sensação de ter levado um soco no estômago com luvas de boxe. Multiplique isso por mais de 600 salas de exibição Brasil afora, "n" sessões e as versões piratas, via DVD e internet, que vão pipocar a partir de hoje, e tem-se como resultado algumas milhares de pessoas que, se não lutarão contra o sistema, pelo menos refletirão um pouco mais sobre suas vidas.

Ao final da sessão, saí do cinema duplamente feliz, por ter visto um filme excepcional e por votar nulo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagão: cobertura nota 10 da Band News mostra o poder do bom e velho radinho

Ontem, durante o apagão que deixou o Rio - e tb São Paulo, Minas e outros estados - às escuras por cerca de 4 horas, fiz que nem os Titãs na música Sonífera Ilha e colei meu ouvido no radinho. Só não era o de pilha, e sim o do celular.

Liguei primeiro na CBN, que, como se estivesse alheia ao caos, transmitia o jogo do Vasco pela Série B, lá pelas 22h30. Fui, então, para a Band News, de onde só consegui me "descolar" por volta de 1h30. Não só pq esperava a luz voltar, mas pq a cobertura jornalística da emissora foi nota 10. Parecia aqueles filmes ou séries de TV muito bons, que te prendem do início ao fim. Repórteres entravam ao vivo do Rio, de SP, Brasília e BH. E os locutores, muito simpáticos e bem-humorados, retransmitiam o panorama das cidades afetadas a partir do relato dos ouvintes, via SMS, e-mail e Tweeter - os dois últimos, é claro, disponíveis somente em acessos por celular e notebook.

Frases como "Niterói está às escuras", "Copacabana já voltou", "esqueceram da Tijuca" e até "onde estaria a Madonna agora?" informavam e divertiam ao mesmo tempo. Como jornalista, senti orgulho da classe ao ver o ótimo trabalho executado pelos colegas da Band News. E tb de ver que o rádio, veículo em que já trabalhei, mostrar tamanha força nesses tempos em que se especula até o fim do jornal de papel. O radinho está mais vivo do que nunca, integrando-se perfeitamente aos novos veículos de comunicação para desempenhar de forma ainda mais eficaz seu papel de companheiro inseparável da população, em todas as situações, com ou sem luz.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Jornalista do SBT nunca ouviu falar de Luiz Ayrão

Muito bom e pertinente o artigo do jornalista Vagner Fernandes, biógrafo de Clara Nunes, publicado hoje (31/03) na coluna de Alcemo Goes, no Globo Online. No texto, o colega de profissão comenta a ignorância de uma vendedora da Saraiva Megastore que, indagada por um cliente se a loja possuía o livro sobre a sambista mineira, morta há 25 anos, lhe perguntou se a autora era a própria Clara.

A história me fez lembrar fato semelhante – e ainda mais lastimável – ocorrido no programa Qual é a Música, de Silvio Santos, há três semanas. Na ocasião, o “time das mulheres” tinha a presença de uma jornalista da casa, Cíntia Benini, que apresenta o telejornal SBT Brasil ao lado de Carlos Nascimento.

Na brincadeira musical, Silvio perguntou a Cíntia se conhecia Luiz Ayrão, autor da música que viria logo a seguir (sem o conhecimento dela ainda), Os Amantes. Ao que ela respondeu: “não, Silvio”. Ele insistiu: “nunca ouviu falar?” E ela, com a mesma tranqüilidade: “nunca, Silvio”.

Não dá pra medir ignorância. Mas quando digo acima que o caso de Cíntia é pior que a da livreira, logicamente estou me referindo ao fato de ela ser jornalista, âncora da segunda ou terceira maior emissora de TV do país.

Existe um mito sobre nós, jornalistas, de que somos obrigados a conhecer tudo sobre todos os assuntos. Quando desconhecemos algo supostamente óbvio, nossa competência para exercer a profissão é logo questionada, sempre com um ar de acusação.

Não é por aí. Mas é claro que, como tudo na vida, há parâmetros para saber até onde vai o limite entre a falta de onisciência inerente aos reles mortais e a ignorância retrógrada. Um dos mais justos, ao que me parece, é a relação do objeto ou da pessoa com o assunto em questão. Neste caso, o lugar que Luiz Ayrão ocupa na história da cultura nacional. Nenhum, segundo a jornalista que apresenta o SBT Brasil para milhões de pessoas.

Não cabe neste espaço descrever a biografia de Luiz Ayrão, mesmo porque uma rápida busca no Google cumpre bem essa função. Mas vale ressaltar que o carioca Luiz Gonzaga Kedi Ayrão é um dos grandes sambistas do Brasil. Cantor, compositor e escritor de mão cheia, lançou grandes sucessos como Porta Aberta, Nossa Canção e Ciúme de Você, as duas últimas regravadas com enorme êxito por Roberto Carlos.

Os mais novos certamente já ouviram Nossa Canção na voz de Vanessa da Mata, Ciúme de Você com Felipe Dylon e a citada Os Amantes com o sertanejo Daniel. E a lista de intérpretes ainda tem Maria Bethânia, Zizi Possi, Raça Negra, entre muitos outros. Não bastasse tudo isso, Luiz Ayrão ainda é figurinha fácil no Programa Raul Gil, onde costuma participar como jurado do quadro de calouros.

Se uma livreira não conhece Clara Nunes e uma jornalista nunca ouviu falar de Luiz Ayrão, é sinal de que já passou da hora de refletirmos sobre a (falta de) memória de nosso país. Nessa batalha contra o ostracismo a que estão relegados os grandes nomes da cultura brasileira, o Google não passa de um soldado raso. É preciso artilharia pesada, que só pode ser disparada pelos governos e pelas grandes empresas.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Fazendo música, jogando bola

Muitos antes de a revista Rolling Stones eleger Acabou Chorare o melhor disco brasileiro de todos os tempo, numa lista dos 100 mais divulgada em 2007, eu já considerava o álbum que os Novos Baianos lançaram em 1972, sob influência de João Gilberto, o número 1 da MPB.

Mas isso foi até hoje, quando tive a felicidade de ouvir pela primeira vez na íntegra, da primeira à última faixa, o disco seguinte de Moraes, Pepeu, Baby & cia., Novos Baianos Futebol Clube, de 1973. Foi uma experiência tão incrível que decidi relatá-la aqui neste espaço.

Não que Novos Baianos Futebol Clube seja melhor que Acabou Chorare. Na verdade, a sonoridade é bem parecida, lembrando até uma continuação. Igualdade até no número de faixas, 10 cada um. Talvez por isso, por não ser tão revolucionário quanto seu antecessor, F.C. não tenha conseguido a mesma projeção.

Mas o disco é bom demais. Tem mais samba que Acabou Chorare e a influência hippie nas letras é maior. Fazendo música e jogando bola, como diria Pepeu Gomes muitos anos depois, já em carreira solo, os Novos Baianos criaram verdadeiras obras-primas, como a deliciosa Vagabundo Não É Fácil e a brilhante Com Qualquer Dois Mil Reis, dona de letra atemporal.

Novos Baianos Futebol Clube é samba e rock, loucura e genialidade. Puros anos 70. Nasceu numa época em que eram mais freqüentes discos conceituais, bons do início ao fim, que revelavam surpresas a cada audição. Escute-o com fones de ouvido, para perceber a separação dos instrumentos em cada canal, e comprove.

A partir de hoje, a minha lista dos melhores de todos os tempos tem um novo e forte aspirante à primeira colocação. Talvez Acabou Chorare leve pequena vantagem, mas posso dizer que há um empate técnico.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Grupo Abba ganha museu na Suécia

O grupo sueco Abba, que se tornou um dos ícones da disco music graças ao hit Dancing Queen, ganhará um museu em Estocolmo. O Abba the Museum terá três andares e irá ocupar 6,5 mil metros quadrados no Stora Tulhuset, um imponente prédio construído há um século em estilo art déco.

A inauguração será em junho de 2009, mas a venda de ingressos começou hoje, 13 de março, no site do museu. As entradas só podem ser compradas on-line e as visitas têm dia e hora marcados. Segundo a BBC Brasil, a expectativa dos organizadores é de que o museu receba 500 mil visitantes por ano.

O site do Abba the Museum remete à fase de maior sucesso do grupo, no final dos anos 70. As páginas são coloridas e cheias de luzes, lembrando uma discoteca. O clima de revival também está numa imagem com a silhueta dos quatro integrantes, na qual dá para notar as roupas da época, inclusive a clássica calça boca-de-sino.

No site ainda há uma planta do museu, que mostra como serão dispostos os itens da exposição. Uma das atrações promete ser um estúdio onde os visitantes poderão cantar com o grupo e dançar como John Travolta, estrela do filme Os Embalos de Sábado à Noite, que marcou o auge da disco music.

O Abba surgiu em 1974, formado por Agnetha Fältskog, Björn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Reuss, cujas iniciais deram origem ao nome do grupo. Embora carregue o estima da música dançante, o quarteto – que se separou em 1982 – também emplacou várias baladas, como Fernando, seu primeiro hit, e a famosa The Winner Takes it All.

Uma coletânea bem satisfatória do grupo é a conhecida Abba Gold. Outra ainda mais completa é The Definitive Collection, CD duplo com 37 faixas.

quarta-feira, 12 de março de 2008

O fim dos ultramanos

Triste notícia publicada no site Rock Press. Sucesso de crítica, mas com pouca mídia, a banda gaúcha Ultramen vai encerrar as atividades após 16 anos de estrada. Embora ainda estejam rolando alguns shows, a despedida foi na quinta-feira passada, 6 de março, com a gravação do DVD Ao Vivo em Porto Alegre.

Formado por Tonho Crocco (vocal), Julio Porto (guitarra), Pedro Porto (baixo), Zé Darcy (bateria), Marcito (percussão), Malásia (percussão) e DJ Anderson, o Ultramen é – ou foi – uma das bandas mais criativas surgidas nas duas últimas décadas no cenário do pop-rock brazuca.

Cabia de tudo no som dos caras, tudo sempre muito bem-feito. Mas a especialidade do Ultramen era o samba-rock, na velha escola dos mestres brasileiros do suingue, com toques de modernidade garantidos pelo rap.

A banda ganhou mais notoriedade ao participar do projeto Acústico MTV Bandas Gaúchas, do qual foi destaque absoluto em meio aos quatro artistas participantes. As ótimas faixas Ultramanos, Santo Forte e Dívida, esta última um dueto inspirado de Tonho e Falcão, do Rappa, sintetizam bem o que era o caldeirão rítmico do Ultramen.

No site da banda há bastante material disponível para download gratuito, incluindo a íntegra do álbum Acústico, gravado em 2004 no Teatro São Pedro, em Porto Alegre. É uma boa forma de conhecer mais a fundo a história do Ultramen, que vai deixar saudades.

Resta desejar boa sorte aos músicos e torcer para um reencontro num futuro breve.

Veja abaixo o encontro do Ultramen com Falcão na dançante Dívida.


terça-feira, 11 de março de 2008

Parada de sucessos brasileira é retrato da mesmice

É de assustar a parada musical publicada hoje no jornal Extra, com os 10 CDs mais vendidos da semana, segundo o Instituto Nopem.

Da lista, somente 1, isso mesmo, U-M disco é lançamento. A estrela solitária é o cantor-surfista havaiano Jack Johnson, que surge na 6ª colocação com seu mais recente trabalho, Sleep through the Static. Título bem sugestivo, por sinal.

Michael Jackson, quarto colocado, aparece como uma novidade torta, com a reedição do clássico Thriller, embalado por remixes de músicas dos anos 80. A coletânea Pancadão do Candeirão do Huck 2008, um mix de vários funkeiros, também representa um esboço de inovação.

Mas qualquer tentativa de respirar novos ares pára por aí. A liderança do ranking é da coletânea Perfil, de Ivete Sangalo, seguida por outra compilação, Collection, do Queen.

Mais estranho ainda é ver o Acústico MTV do Kid Abelha, um disco lançado em 2002, ocupando o honroso posto de 5º álbum mais vendido do Brasil. E não está só. O MTV Ao Vivo do Jota Quest, de 2003, aparece em 8º, enquanto Estampado, gravado por Ana Carolina também em 2003, é o 10º.

Infinito Particular, de Marisa Monte, e Minha Bênção, do Padre Marcelo Rossi, ambos de 2006, completam o ranking.

A presença dessas peças de museu na parada de sucessos brasileira pode ser explicada – afinal, grandes magazines, como as Lojas Americanas, costumam cobrar R$ 9,90 por discos nacionais de catálogo – mas não justificada.

Não adianta se queixar da crise, da pirataria e da tecnologia sem investir em novidade, produto raro num mercado em que gravadoras e artistas deixam-se levar pela falta de ousadia e criatividade, enquanto o público se acomoda no conforto do passado.

Ao som do sonolento Jack Johnson, parece que a indústria fonográfica brasileira vai entregando os pontos. Tomara que acorde a tempo de mudar.

Não deixe o Capital Inicial esquecer seu passado

Vi no blog do colega Jamari França, do Globo Online, que tá rolando um manifestado encabeçado pelo blog Na Rota do Rock (NRDR) para que o Capital Inicial toque músicas dos anos 80 no show que fará em Brasília, no dia 21 de abril, e dará origem ao DVD Multishow Ao Vivo. Causa justa.

Não tô sabendo muito sobre o show. Fui ao site da banda e não tem nada lá, literalmente – o que, aliás, é uma tremenda mancada com os fãs. Uma rápida busca no Orkut e nada também sobre o repertório, só especulação. Idem no Google.

Vi o Capital sábado, no Altas Horas. Como é de costume nesses programas de entrevistas – quase todos péssimos quando o assunto é música – Dinho Ouro Preto falou muito superficialmente sobre o assunto. Mas foi o suficiente para dizer besteira.

Segundo o eterno garotão do rock nacional, este será o primeiro disco ao vivo do Capital, tirando o Acústico MTV. Ué, e o de 1996? Tudo bem que ele, Dinho, não tenha participado, pois estava em carreira solo na época. Mas e os outros? O disco leva o nome de quem, ora bolas? Além disso, se Dinho não estava, o guitarrista Loro Jones, que depois do unplugged cedeu lugar para Yves Passarel, marcava presença.

Bem, de volta ao DVD. Parece que não há nada confirmado sobre o set list, mas onde tem fumaça, tem fogo. E não deve ser a música Fogo.

Pelo passado recente do Capital, é bem possível que a suspeita encontre fundamento. No último show a que assisti, ainda na turnê do álbum Gigante, o maior sucesso do grupo até hoje, Música Urbana, não foi tocado.

A verdade é que, depois do estouro de Natasha, uma das inéditas de Acústico MTV, o Capital Inicial descobriu que a receita do bolo era fazer música para adolescentes. Vide o sucesso dos álbuns seguintes, Rosas e Vinho Tinto e Gigante, com a rebeldia juvenil de Quatro Vezes Você e o otimismo de Não Olhe pra Trás.

São boas músicas, sem dúvida, mas que estão muito longe, na qualidade e na verdadeira rebeldia punk, de clássicos do BRock como Autoridades, Psicopata, Descendo o Rio Nilo e Mickey Mouse em Moscou. Músicas que se não transformaram o Capital Inicial na segunda Legião Urbana dos anos 80, fizeram a cabeça de milhares de jovens na época. E essas pessoas, vale frisar, ainda compram os discos da banda e freqüentam seus shows, apesar da mudança de sonoridade.

Então, junto-me ao apelo do NDRD para que o Capital não se esqueça dos fãs “da antiga” neste que promete ser um dos melhores shows da história da banda.

Além de Música Urbana, Autoridades, Psicopata, Descendo o Rio Nilo e Mickey Mouse em Moscou, sugiro que estejam no set list as velhinhas Fátima, Veraneio Vascaína, Kamikaze, O Passageiro e 1999. Da geração pós-acústico, acho que não podem faltar Como Devia Estar, Quatro Vezes Você, Pra Ninguém, Olhos Vermelhos, Mais, Respirar Você, Sem Cansar, Não Olhe pra Trás, Perguntas sem Respostas e Sorte.

E nada de gastar tempo com homenagem à Legião Urbana! Já tiveram um disco inteiro para isso. A essa altura, Dinho também não precisa mais ficar à sombra de Renato Russo. Há tempos (com trocadilho, por favor) o Capital Inicial já construiu sua própria história.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Reedição de O Canto da Cidade traz Daniela Mercury no auge criativo

CRÍTICA DE CD/DVD


● Disco: O Canto da Cidade – 15 Anos
● Artista: Daniela Mercury
● Gravadora: Sony-BMG




No último reveillon, entre um abraço e outro nos amigos, ouvi Daniela Mercury interpretar O Canto da Cidade, música de 1992, no programa Show da Virada. Pensei: “Eis um exemplo de uma grande artista que ainda está presa ao passado”.

Ao escutar o CD homônimo, que é relançado agora, em versão remasterizada, pouco mais de 15 anos depois do original, vejo que aquele sentimento não era apenas uma sensação, e sim uma constatação.

O Canto da Cidade, o disco, é um dos melhores trabalhos na linha popular lançados nas últimas décadas no Brasil. Com sua voz marcante, a irreverência baiana e a influência dos mestres da MPB, Daniela Mercury criou um samba-reggae mais encorpado, que não apenas unia esses dois gêneros musicais, mas também trazia boas doses de pop e rock.

Que atirem a primeira pedra os puristas, mas na minha opinião a interpretação de Daniela Mercury para Você Não Entende Nada, de Caetano Veloso, é definitiva. Só pra Te Mostrar, dueto com o paralama Herbert Vianna, é um pop-rock de primeira linhagem. E até mesmo as percussivas O Canto da Cidade, Batuque e O Mais Belo dos Belos são oásis em meio à maior parte do que se produzia na chamada axé music da época. E ainda hoje é assim.

O problema é que Daniela se perdeu ao começar a investir na música eletrônica, após o também ótimo Feijão com Arroz, de 1996. Tentou fugir do estigma da axé music, mas não encontrou boas músicas, próprias ou de terceiros, que justificassem a fuga. Tanto é que o melhor de sua carreira está muito bem resumido na excelente coletânea Swing Tropical, da Som Livre, que traz essencialmente faixas retiradas dos CDs O Canto da Cidade e Feijão com Arroz. É um bom disco, com boas músicas, a maior parte delas no estilo samba-reggae.

Essa nova versão do CD acompanha um DVD com um show de Daniela Mercury na Praça da Apoteose, no Rio, em 1992. Curioso, ao ver a multidão que lotava o Sambódromo para assistir a uma cantora em início de carreira, é perceber que Daniela, desde aquela época, já carregava consigo o paradoxo de não depender tanto de vasto repertório para ser uma grande artista. Afinal, mesmo sem emplacar um hit do naipe de O Canto da Cidade há alguns anos, ela nunca perdeu o status de musa.

Com um set list irregular, que incluía as deslocadas Há Tempos (Legião Urbana) e Maluco Beleza (Raul Seixas), Daniela Mercury levantou a multidão, ajudada em muito por sua performance teatral, adquirida nos tempos de bailarina.

Mais interessante que o show são as gravações feitas para um especial da Rede Globo, em que Daniela faz duetos ao vivo com Tom Jobim (Águas de Março) e Herbert Vianna (Só pra Te Mostrar). Já Caetano Veloso ataca de ator no clipe de Você Não Entende Nada.

No final das contas, pela importância e qualidade, o CD inverte a lógica do mercado e torna-se mais relevante que as imagens do DVD. Quem sabe não esteja no velho disquinho digital a receita para Daniela Mercury reencontrar a essência de sua música.

Parabéns Cristina Mel, uma das maiores cantoras do Brasil

Hoje, 10 de março, é aniversário de uma das maiores cantoras do Brasil. Maria Bethânia? Não. Elba Ramalho? Menos. Ana Carolina? Tá frio.

Falo de Cristina Mel, cantora gospel com quase 20 anos de carreira. Se não tivesse optado pela música religiosa – da qual é, disparado, a melhor representante – Maria Cristina Mel (sobrenome artístico incorporado na Justiça recentemente) de Almeida seria unanimidade de público e crítica.

Certamente sua voz, de afinação e extensão raras, e sua musicalidade já teriam sido reconhecidas pelos prêmios Shell, Tim e Multishow da vida. Algo que, infelizmente, não acontece na música gospel, dada a pouca quantidade de premiações e a credibilidade duvidosa das que existem.

Conheço Cristina Mel há muitos anos. Ela já era uma referência para mim mesmo quando eu mal sabia o que era a música gospel. Durante os anos de Revista do Nopem, Universo Musical e Universo Gospel, foram vários encontros, entrevistas, bate-papos, desabafos e, é claro, audições de discos que, a despeito do porte das gravadoras pelos quais eram lançados, tinham um carimbo de qualidade.

A última vez que o talento de Cristina Mel me encantou foi em 2007, na gravação de um DVD da Line Records, no Vivo Rio. Lá estava ela no palco em meio a outros artistas da gravadora.

Sem desmerecer os outros, quase todos meus amigos, Cristina Mel era, na verdade, a única ali que merecia esse título. Ela É uma artista, na melhor e mais completa acepção da palavra.

No palco, Cristina Mel não só transmite a Palavra de Deus, objetivo comum de todos do segmento. Ela vai além: sente, transpira, emociona. Como nenhum outro – e aí não falo só dos evangélicos – mostra que a música, como diz o senso comum, não tem fronteiras. A música, na voz de Cristina Mel, é do tamanho do universo. Ela, sim, é um universo musical.

Se você nunca ouviu Cristina Mel cantar, dispa-se de qualquer preconceito e pudor, caso tenha algum. Peça de um amigo, baixe na internet ou encontre algum modo, convencional ou não, de ouvir um de seus discos. Para lhe ajudar, dou a dica do CD e DVD 15 Anos ao Vivo, a cuja gravação, realizada em São Paulo, tive a honra de assistir. Ouça a última faixa, A Mão do Mestre, e deixe-se emocionar.

A você, minha amiga, parabéns pelos 44 anos de puro talento. Serei seu eterno fã.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Não sabe brincar...

Foto: Globo Online / Montagem: Marcos Bin

A torcida do Flamengo comemorou mais a vitória de 4ª pela Libertadores do que a conquista da Taça Guanabara, domingo, contra o Botafogo. E não foi por causa da diferença de nível entre as duas competições.

Demorou para cair a ficha rubro-negra. Ou seria o apito? Enfim, os flamenguistas precisaram de alguns dias para perceber que as lambanças dos Homens de Preto custaram o título ao Botafogo.

Somente a perplexidade retardada – em todos os sentidos da palavra – pode explicar a foto ao lado, em que o zé mané do Souza tenta tirar uma onda com os torcedores alvinegros.

Ele não deve ter se lembrado que haverá outros jogos entre Flamengo e Botafogo este ano, um deles daqui a algumas rodadas, no 2º turno do Carioca. Se os jogadores alvinegros já demonstraram sua revolta agora, com palavras, o que esperar da próxima partida? E as torcidas, como irão se comportar?

A idiotice do Souza pode custar caro. Se isso acontecer, ficar de castigo no canto da sala será uma punição leve demais.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

É proibido pensar

Acho que já tive a oportunidade de dizer aqui no blog que não tenho acompanhado a música gospel com afinco. Da minha parte, faltam tempo e interesse; do gênero musical, novidades atraentes. Como diria a música dos Paralamas, quase sempre são variações do mesmo tema sem sair do tom.

Além disso, a postura de muitos artistas evangélicos é no mínimo frustrante para quem conhece o meio. Não gostam de ser chamados de artistas – preferem o termo bíblico “levitas” – mas agem com mais orgulho e vaidade que um rock star internacional. Some-se a tudo isso os diversos escândalos envolvendo cantores e pastores e o desânimo está mais que justificado.

Bem, mas este post não é para falar mal da música gospel, muito pelo contrário. Quero destacar algo que vi e achei tão interessante a ponto de gastar um tempinho para falar disso e compartilhar o que penso com todos os meus 2 leitores.

Uma brevíssima introdução sobre o assunto deste texto, o cantor e compositor João Alexandre. Paulista de Campinas, ele é um dos (poucos) poetas da música gospel, autor de letras inspiradas e melodias elaboradas que flertam com samba, bossa nova e jazz. Foi um dos criadores da chamada linha “MPB gospel”.

Conheci o mais recente CD de João Alexandre, É Proibido Pensar, graças a um artigo que Elvis Tavares publicou no site da Efrata Music. O que me chamou a atenção foi o clipe da música, à disposição no Orkut. E não foi só a mim, como comprova uma rápida investigação na internet.

Na verdade, o polêmico vídeo, criado pelo blogueiro carioca Tito Von Brauner, é só o cartório. Há muitas aferições dele, mas na maioria das vezes as imagens são como retratos dos bois cujos nomes foram dados pelo próprio João Alexandre na letra de É Proibido Pensar, título inspirado, obviamente, na canção de Roberto e Erasmo.

De forma mais ou menos velada, no esquema “para quem sabe ler, um pingo é letra”, João Alexandre critica várias denominações evangélicas, ao falar do comércio e da teoria da prosperidade que tomou conta de muitas igrejas. A música gospel é atacada em seus modismos e mesmices: os “profetas apaixonados(...) distantes do trono”, o uso de instrumentos orientais, como o shofar (o vídeo ilustra com foto da cantora Fernanda Brum), a cópia de modelos importados, entre outros.

Mas independentemente de nomes e denominações, justiças e injustiças, João Alexandre está de parabéns por mostrar que, ao contrário do título da música, é possível refletir sempre, até mesmo quando o assunto é religião. Discussão muito pertinente numa época em que fiéis coíbem jornalistas de exercerem seu dever, que nada mais é senão informar.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A Força está com ela

Uma menininha de 3 anos de idade é a nova febre do YouTube. No vídeo, intitulado “Star Wars according to a 3 year old”, ela repete diálogos do filme Guerra nas Estrelas 4 – Uma Nova Esperança, incluindo a épica luta entre Obi-Wan Kenobi e Darth Vader.

Assista abaixo e repare, babando, na pronúncia perfeita da criança. Não é à toa que o vídeo, há apenas 4 dias no ar, já tenha sido visto por quase 2 milhões de pessoas.

E para quem é fã da série de George Lucas, uma boa notícia. Depois dos curtas de 30 minutos que já estão sendo exibidos no Cartoon Network, será lançado nos cinemas o longa de animação Star Wars: The Clone Wars.

A história do filme vai se concentrar no que acontece entre os episódios 2 e 3 da saga original. A estréia está prevista para 15 de agosto, nos EUA.

De março a julho, ainda rola na Bienal de Sampa a exposição Star Wars. Pela primeira no Brasil, a mostra terá 200 peças originais dos estúdios da Lucas Film utilizadas na produção dos seis longas da série. Acesse o site
Star Wars Brasil, que é bem bacana, e veja mais detalhes.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Here come the Men in Black

Mais uma vez o pessoal do MIB (Men in Black) usa suas armas antialienígenas para prejudicar o Botafogo numa final.

Ano passado, o Glorioso foi a vítima preferida dos homens (e mulheres, né, Ana Paula?) de preto. Mas enquanto meus companheiros alvinegros reclamavam da arbitragem, eu preferia culpar a falta de garra da equipe pelas sucessivas derrotas.

Mas ontem, no Maracanã, não houve desculpa. Assim como na final de 2007, o Botafogo deste ano tem mais time que o Flamengo e foi superior em campo. A diferença é que agora temos um time “de machos”, como queria o Montenegro.

Faltou sorte, sim, mas seria muito mais fácil o juiz não marcar aquele pênalti absurdo – do tipo que só marcam contra o Botafogo – a querer que a bola, em vez de bater na trave, entrasse no gol aos 50 minutos, quando a equipe tinha um a menos e os jogadores estavam com os nervos à flor da pele.

E ainda teve a bola recuada pelo zagueiro rubro-negro que o goleiro defendeu, sem que o juiz marcasse tiro livre indireto; a expulsão ridícula do Zé Carlos, que nem participou da confusão após o pênalti; e uma falta perto da área, no fim do jogo, que o bandeirinha viu e também não fez nada. E nós ainda temos que aturar a explicação do Arnaldo Cezar Coelho: “o jogador do Botafogo se joga tanto que, quando é falta mesmo, ninguém acredita”. Aaaaaaaah, bom... Alguém merece?

Meu consolo é saber que agora, seguindo a tradição, o Flamengo vai ignorar a Taça Rio para se dedicar à Taça Libertadores, título que não tem a menor condição de vencer, pela deficiência do elenco (o mesmo vale para o Fluminense e valeria para Botafogo e Vasco, se estivessem lá).

Muito provavelmente o Botafogo vencerá o segundo turno – até porque é muito superior a Vasco e Fluminense, como provou na Taça Guanabara – e se reencontrará com o Flamengo na grande final. Vamos ver se da próxima vez o Will Smith e o Tommy Lee Jones serão convidados.

Zeca é fera até no jingle

Só mesmo Zeca Pagodinho para levar vida inteligente aos comerciais de cerveja, marcados pelo clichê do cara que pega (ou pensa que vai pegar) a mulher de bundão e peitão depois de tomar uns gorós.

No anúncio da Brahma que estreou sexta-feira passada, Zeca exalta o brahmeiro, aquele cara que “corre atrás de seus objetivos e tem fé na vida, é otimista, trabalhador, dá valor à sua família e preza os momentos de celebração com os amigos”, na definição da agência Africa, autora do comercial.

O publicitário Nizan Guanaes, presidente da agência, é o compositor do jingle, muito bom, no estilo Deixa a Vida Me Levar. Se a letra não tivesse o nome da cerveja, era hit certo.

A direção do anúncio é de Andrucha Waddington, da Conspiração Filmes. Foram criadas duas versões: uma inteira, de 1 minuto, e a reduzida, de 30 segundos. Confira abaixo a versão completa e a letra do jingle. Um brinde a Zeca Pagodinho!

Brahmeiro – letra
(Nizan Guanaes)

De manhã cedo, eu me benzo, me levanto e vou trabalhar.
Tudo o que eu tenho nessa vida conquistei, tive de ralar.
Do meu pai e minha mãe aprendi o que sei.
E os meus filhos vão herdar o nome limpo que eu herdei.
Não sou barão, mas me sinto um rei, porque tenho um lar.
E no final daquele dia duro de batente
É a hora da minha Brahma que também sou gente.
A vida não tem graça sem ter os amigos e o que celebrar.

Eu sou brahmeiro, amor, eu sou brahmeiro.
Sou do batente, sou da luta, sou guerreiro, eu sou brasileiro.
Eu sou brahmeiro, amor, eu sou brahmeiro.
Sou do batente, sou da luta, sou guerreiro, eu sou brasileiro.


domingo, 24 de fevereiro de 2008

Eles ainda seguram o Tchan

Esta poderia ter saído no Acredite se Quiser, mas está no Orkut, mesmo. Existe uma comunidade que exalta a nova formação do grupo É o Tchan, chamada É o Tchan de cara nova. Mais incrível ainda é saber que tem quase 3 mil guerreiros inscritos lá.

Para quem, como eu, pensava que o Tchan já tivesse ralado é peito, cantado pra subir, a comunidade nos apresenta a nova dupla de vocalistas, que ocupa o lugar honroso já ocupado pelos célebres Cumpadi Washington e Beto Jamaica (onde eles estariam hoje?).

Legal é ver a minibiografia deles. Um dos novos cantores é Johnny, que fez parte de três grupos: Cafuné, Swingueira do Bicho e Os Marotos. Seu colega é Jack, ex-Digalera. Não fui apresentado a nenhuma das quatro bandas. Prazer. Ah, é importante dizer que Johnny e Jack são “dois gogós de ouro”, na descrição do autor da comunidade.

Lá também tem o link para o site do É o Tchan, que parece ter sido criado por um desses fãs remanescentes. É o melhor retrato da decadência da banda.

Tudo bem que o Orkut seja um espaço democrático e que gosto não se discuta. Mas até os antigos fãs do grupo, que o ajudaram a vender milhões de cópias, sabem que não dá mais para segurar o Tchan. Passou, já foi. É como diz o velho ditado: insistir no erro.... Você sabe.

Leitores do blog querem Stevie Wonder no Brasil

Pelos nomes que já vieram e os que sabemos que virão, 2008 deverá ser o ano dos shows internacionais no Brasil. Mas quem o povo quer ainda está longe do país. Ao menos é o que indica a última pesquisa realizada pelo blog.

Escolhemos quatro artistas que há muito tempo não fazem shows por aqui e perguntamos aos leitores a quem eles gostariam de assistir. Com 44% dos votos, quase o dobro do segundo colocado, o vencedor foi Stevie Wonder.

O vice campeão, com 24%, foi Elton John. O ex-beatle Paul McCartney (17%) e a banda Queen, com Paul Rodgers nos vocais (13%), vieram a seguir.

Em 2006, Stevie Wonder foi convidado para encerrar a 2ª Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora (Ciad), realizada na Bahia. Mas os últimos shows “oficiais” no Brasil foram em 1995, no Rio e em São Paulo, dentro do antigo Free Jazz Festival. Na época, ele recebeu no palco o brasileiro Gilberto Gil, que o reverenciou de joelhos.

Confira abaixo um outro encontro de Stevie Wonder e Gilberto Gil, tocando juntos o clássico Desafinado.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Skank arrebenta no cover de Beleza Pura

CRÍTICA DE SINGLE
● Música: Beleza Pura
● Artista: Skank



Enquanto a Globo fazia só as chamadas, era difícil reconhecer o intérprete. Mas quando a novela das sete Beleza Pura estreou esta semana, foi impossível não identificar a marca registrada do Skank na música-título, releitura do sucesso de Caetano Veloso também gravado pelo grupo A Cor do Som.

A gravação de Beleza Pura marca o reencontro do Skank com o produtor Dudu Marote dez anos após o mega-sucesso do álbum O Samba Poconé, que, junto ao anterior, Calango, ultrapassou a marca de 3 milhões de cópias vendidas.

Releituras não são novidade para o Skank. O quarteto liderado por Samuel Rosa viveu experiência semelhante em 2004, quando gravou Vamos Fugir, de outro baiano, Gilberto Gil.

Se agora a música é tema de abertura de novela, há quatro anos serviu de trilha sonora para um comercial. Outra semelhança entre as duas versões está na idade: a Vamos Fugir dos mineiros apareceu 20 anos após a original; já a nova Beleza Pura surge quase 30 anos depois do registro de Caetano, feito em 1979.

Nos dois casos, o principal mérito do Skank foi conferir frescor e jovialidade a antigas canções, fazendo-as parecer como novas. Tarefa que eles também cumpriram com maestria ao verter para o português a música I Want You, de Bob Dylan, que virou o hit Tanto. Mas aqui vale ressaltar que a versão ao vivo, gravada para o CD e DVD da MTV, é bem superior à de estúdio, presente no primeiro álbum do grupo.

O diferencial da Beleza Pura do Skank em relação às de Caetano e A Cor do Som é, sem dúvida, o naipe de metais, que ficou a cargo do sensacional grupo paulista Funk como Le Gusta. Somando os metais em brasa à voz marcante de Samuel Rosa e ao punch de sua guitarra meio rock, meio reggae, o resultado é uma ótima música que tem tudo para repetir ou superar o sucesso de Vamos Fugir.

No último dia 16 de fevereiro, o Skank tocou Beleza Pura no Festival Planeta Atlântida, no Rio Grande do Sul. Ao vivo a música ganhou ainda mais força e deu origem a um clipe que está sendo executado no canal Multishow. Confira abaixo o vídeo, que já foi parar no YouTube.


domingo, 17 de fevereiro de 2008

Caso Preta Gil revela o lado negro da força

Sexta-feira, um amigo me passou o link para a notícia do processo que Preta Gil moverá contra o Google. Para quem não sabe: ao digitar as palavras “atriz” e “gorda” no Google Imagens, o site recomenda que a pessoa pesquise também a expressão “Preta Gil”.

Num primeiro momento, minha reação foi rir, não dela, mas da situação esdrúxula. Um pouco depois, nem disso mais achava graça.

O Google é responsável, sim, mas não tem culpa. É como se fosse um homicídio culposo, sem intenção de matar. Os resultados das buscas, a maior ou menor relevância dos sites ou palavras indicados, são fruto de um algoritmo próprio do Google. Traduzindo, é tudo automático.

Na maior parte das vezes, o resultado agrada o usuário, que encontra rapidamente o que procura. Essa eficiência dá ao site criado por Larry Page e Sergey Brin quase o monopólio mundial dos mecanismos de busca. Não é à toa que a Microsoft está oferecendo milhões de dólares ao Yahoo na tentativa de criar um concorrente à altura do Google.

Mas o caso Preta Gil nos lembra que nem sempre a automatização funciona. Apesar dos efeitos negativos para a imagem e a auto-estima da filha do ministro, tudo isso é bom para revelar que existe um lado negro da força, e ele pode ser perigoso.

Não dá pra delegar poderes totais de decisão a uma máquina e ficar deitado em berço esplêndido imaginando que tudo sempre dará certo. Em algum momento pode haver uma conseqüência desastrosa. Já assistiu ao filme Candidato Aloprado, com Robin Williams? É uma obra de ficção, mas nos faz refletir da mesma forma. Quem sabe não esteja na hora de fazer alguns ajustes nesses algoritmos tão geniais, tirar a mão do bolso e contratar mais seres humanos para interagir com os robozinhos?

Mas, infelizmente, também não dá para esperar muito das pessoas. Não estou falando dos possíveis profissionais que o Google deveria contratar, pois a obrigação deles seria cuidar da imagem da empresa.

Ontem, no blog do Ancelmo Góis, no Globo Online, havia mais de 200 comentários para a notícia. Comecei a ler as mais recentes, mas parei por indignação. Havia todo tipo de ofensa e declaração preconceituosa contra Preta Gil, como se ela não tivesse sentimentos ou estivesse usando aquela situação deplorável para se aproveitar.

É a famosa e detestável síndrome de teoria da conspiração do brasileiro. A mesma que produz absurdos do tipo “o Brasil entregou a Copa de 1998 para a França porque queria sediar os jogos” e “os atentados de 11 de setembro foram planejados por George Bush para poder atacar o Iraque”.

Isso é preocupante. Parece que hoje, além de assistirmos quase indefesos às atrocidades que os poderosos – grandes empresas, políticos, nações – cometem contra nós, temos que aceitar que supostas estratégias de marketing estão acima de nossas crenças e até mesmo complexos.

Não pode ser assim. Até que me provem o contrário, prefiro acreditar que dinheiro nenhum compra a paz interior. Por isso, Preta Gil, vá à luta. Pegue seu sabre de luz e combata todos os Darth Vaders que encontrar pela frente. A força está com você.

Earth, Wind and Fire no Brasil. Eu fui

CRÍTICA DE SHOW
● ARTISTA: Earth, Wind and Fire
● Data: 16/02/08
● Local: Vivo Rio (RJ)



Acabei de chegar do show do Earth, Wind and Fire no Vivo Rio. Há muito tempo não cantava e dançava tanto. Apesar de exausto, decidi escrever sob o efeito da emoção. Até agora não acredito que estive tão perto dos caras, nem que eles são tão bons. Vai demorar um pouco pra ficha cair.

Traduzir em palavras o que vi e ouvi há poucos instantes é tarefa difícil, mesmo para um jornalista calejado. Tentarei, prometo, e vou procurar ser breve. Se não conseguir nem uma coisa nem outra, e você quiser parar por aqui, vai o resumo: foi o show da minha vida, pelo menos até agora.

Esperava um show muito dançante. Expectativa que se manteve quando Philip Bailey, Verdine White e Ralph Johnson, remanescentes da formação clássica do EWF, entraram no palco, seguidos pelo resto da banda um pouco depois, emendando, de cara, Boogie Wonderland e Sing a Song.

Mas com os longos e magistrais solos de sax e teclado que se seguiram – este último, para surpresa geral, reproduzia sons de vozes – percebi que aquela não era uma noite para dançar, embora milhares de pessoas, eu inclusive, tenham feito isso até se esbaldar. Era para apreciar. Estávamos diante de alguns dos melhores músicos do mundo, e não é todo dia que isso acontece.

Para nossa sorte, os integrantes do EWF não são modestos. Eles sabem que são bons, por isso colocam a técnica acima do repertório. Ainda mais depois de 27 anos sem tocar no Brasil, como lembrou Ralph Johnson, em bom português. E é aí que eu percebo que a ausência de Getaway e In the Stone no set list são meros detalhes, assim como os sucessos que eles tocaram: September, Let’s Groove, Fantasy, Shining Star, Can’t Hide Love, After the Love Has Gone, Reasons, Got to Get into My Life, Devotion. Neste caso, vale a definição inglesa: “music” é maior do que “song”.

Se fosse para definir a apresentação do Earth, Wind and Fire em uma palavra, eu usaria improviso. Embora seja conhecida como uma banda de funk e disco music, o EWF parece que faz jazz. Cada músico é um show à parte. Todos têm vida própria, seja por um solo, uns passos de dança ou somente um sorriso. A voz de Philip Bailey, ainda bem, não acompanhou sua perda de forma física. Ele está melhor do que nunca, com agudos e falsetes desconcertantes. Ele não perde o fôlego, mas quem o vê, sim.

Eu poderia gastar muitas linhas contando detalhes do show – o solo arrasador de trompete; a participação do brasileiro Valmir Borges, que cantou Circo Marimbondo, de Milton Nascimento; o coro arrepiante do público em After the Love Has Gone; a pista de dança criada espontaneamente na seqüência September/Let’s Groove; a criança que subiu ao palco em Devotion (“Thru devotion/ blessed are the children”).

Mas não. Vou comer alguma coisa e dormir. Admito que falho na missão jornalística de traduzir o que vejo em palavras. Mas não me considero derrotado, porque escrever sentimentos é tarefa de poetas. E um show do EWF ao vivo é isso, sentimento.

Para você que não esteve nem na Via Funchal nem no Vivo Rio, lamento, mas não adianta querer compensar com um DVD ou um vídeo no YouTube. Nessas horas, a tecnologia é tão falha quanto as palavras. Só quem esteve lá sabe como foi. A única saída é torcer para que eles não demorem outros 27 anos para voltar.

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Um agradecimento especial a Lana Palmer.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Tropa de Elite é o Matrix brasileiro (ou: Quem mandou o Minc não indicar os aspiras ao Oscar?)

Ótima notícia ao abrir o jornal hoje, ou melhor, ao acessar a internet: Tropa de Elite conquistou o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Isso depois de ter sido exibido com legendas em alemão, quando o normal é em inglês, e de ser acusado de fascista por um conceituado crítico americano.

É claro que, a esta hora, ninguém está mais feliz que o diretor José Padilha, os atores e a equipe técnica. Mas nós, fãs de Tropa, também nos sentimos parte desta festa. É como se fosse uma doce vingança a todos que, por hipocrisia ou vontade de aparecer, acusaram o filme disso e daquilo. E também ao Ministério da Cultura (Minc), que não o indicou como representante brasileiro na briga pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Preferiram o politicamente correto “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias”, e o resultado foi que nem chegamos entre os finalistas.

Nunca fui muito fã de cinema nacional; admito até que tinha um certo preconceito. Mas quando saí do cinema, depois de ver Tropa de Elite – sim, eu não havia assistido à cópia pirata – fiquei com uma sensação de “uau” que só sentira antes ao ver Matrix.

Comparo Tropa a Matrix não pela história, muito menos pelos efeitos tecnológicos, mas sim pela importância. Assim como Neo e cia. dividiram a história recente de Hollywood, o cinema nacional será classificado antes e depois de Capitão Nascimento e seus aspiras.

Tropa de Elite tem todos os elementos de um grande filme: ação, humor, drama e, principalmente, ótimos personagens e interpretações magníficas. Chamá-lo de fascista é, no mínimo, má-vontade. José Padilha simplesmente relata uma realidade a partir de um ponto de vista, o de um policial. O julgamento de valor cabe a quem vê.

Tão errado quanto é dizer que as cenas de violência são gratuitas. Mais do que retratar o cotidiano, as imagens fazem parte da trama, a complementam, a explicam. Sem elas, o impacto que a história causa no espectador certamente não seria o mesmo.

Gostar ou não de Tropa de Elite faz parte da própria essência do filme, assim como acatar ou recusar as convicções do personagem de Wagner Moura. O que não dá para aceitar são comentários parciais feitos por quem prefere se esquivar do fato de que a triste realidade do Rio e do Brasil está relacionada diretamente ao tráfico e ao consumo de drogas.

Da mesma forma, é inaceitável a decisão do Minc de fechar olhos e ouvidos para a enorme repercussão de Tropa de Elite e não tê-lo incluído na lista de filmes brasileiros que tentariam uma vaga na final do Oscar. Como dificilmente o Brasil produzirá tão cedo um filme desse porte – não por falta de competência, mas por méritos de Tropa – ainda será possível incluí-lo em 2009. Tomara que seja mais um dos efeitos positivos deste Urso de Ouro.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Michael Jackson comemora 25 anos de Thriller (e eu me lembro da infância)

CRÍTICA DE CD

● DISCO: Thriller – 25th Anniversary
● ARTISTA: Michael Jackson
● GRAVADORA: Sony-BMG



Lembro-me que, na infância, garotos e garotas tinham algo que os diferenciavam além do sexo: a música. Eles se amarravam em RPM e Michael Jackson. Elas se descabelavam pelo Menudo.

Vou-me ater ao gosto masculino, neste caso infinitamente superior, mesmo porque o critério, para nós, era somente musical. O tempo passou e os dois, RPM e Michael Jackson, foram sumindo das prateleiras das lojas de discos, mas não de nossas lembranças.

Apesar do pouco volume e da baixa qualidade do material que lançaram depois do final dos anos 80, Paulo Ricardo e companhia, ao menos, conseguiram manter a reputação. MJ, não. O ex-Jackson 5 e ex-negro (!!!) até que lançou coisas boas, no meio dos álbuns “Dangerous” e “Blood on the Dance Floor”, ambos dos anos 90. A quantidade de coisas ruins foi até superior, mas foi a desastrosa vida pessoal que quase arrasou o rico legado artístico de Michael Jackson. Foram tantas besteiras que ficou quase impossível separar as duas coisas.

Mas ainda bem que ficou no quase. E por mais bobagem que ele continue fazendo, sempre haverá alguém, mesmo que por interesses meramente comerciais, para nos lembrar que Michael Jackson é, ou foi, um gênio.

Até mesmo agora, em que comemora 25 anos do lançamento de “Thriller”, álbum que o catapultou para a glória e o transformou em Rei do Pop, MJ parece querer estragar tudo. A nova edição de “Thriller”, lançada mundialmente pela Sony-BMG esta semana, traz remixes para músicas tão boas que, se fossem ouvidas num disco de vinil com um prego no lugar da agulha, ainda assim seriam obras-primas.

Cinco das nove faixas originais ganharam novas versões e participações especiais: “The Girl is Mine” e “P.Y.T. (Pretty Young Thing)”, com Will.I.Am., do Black Eyed Peas; “Wanna Be Startin’ Something”, com Akon; “Beat It”, com Feargie, também do BEP; e “Billie Jean”, com Kanye West. Todos os remixes vêm com o sufixo “2008”, para soarem como novidades. De certo modo até são, e “Beat It” com Fergie até que não ficou ruim, mas as músicas poderiam permanecer como foram criadas.

Bem, mas não podemos reclamar. Lá estão elas também, as originalíssimas, com qualidade sonora perfeita. E são tão boas que seria até leviano da minha parte falar mal do disco. Nem eu quero isso, por favor. Foi só para endossar que a qualidade da obra de Michael Jackson nos anos 70 e 80 é tão grande que nem ele mesmo pode acabar com isso.

Vamos falar, então, de “Thriller”, começando pela
reedição.
“Thriller – 25th Anniversary” é um álbum duplo, CD de um lado e DVD de outro. No primeiro, estão lá as nove músicas originais (leia mais sobre elas abaixo) e uma décima, só com a risadinha sinistra de Vincent Price em “Thriller”. Depois vêm os cinco remixes já citados e a grande novidade, a balada romântica “For All Time”, uma sobra de estúdio composta por Steve Porcaro e David Paich, músicos que tocaram sintetizador no disco original. É uma boa canção.

No “lado B digital” estão os clipes de “Billie Jean” e “Beat It”, que mostram um Michael Jackson negro e rebolativo, bem diferente do esquisitão de hoje. Parece outra pessoa.

Já o vídeo de “Thriller”, a música, aparece na versão integral. São quase 15 minutos, um verdadeiro filme, com créditos e tudo. A curiosidade fica por conta da abertura desse clipe-filme, em que aparecem os seguintes letreiros, assinados por Michael Jackson: “Por conta de minhas fortes convicções pessoais, quero enfatizar que este filme, de forma alguma, reforça uma crença no oculto”.

Mas a grande atração mesmo é a apresentação do astro no especial de TV “Motown 25: Yesterday, Today and Forever”, a primeira transmissão da recém-criada NBC, em maio de 1983. Vestindo a clássica blusa brilhante de lantejoula e luvas, MJ domina o público cantando “Billie Jean” e passeando pelo palco com os passos de break e o famoso “moonwalk”. Lembro-me novamente da infância, pois tinha um amigo – aliás, ainda tenho – que fazia isso também. Escondido, para não ser zoado (o que sempre acontecia), vestia-se de preto, colocava as luvas brancas e ia para festas infantis ganhar uma graninha como imitador de Michael Jackson. Era divertido.

Aproveitando o clima de nostalgia, vamos falar do “Thriller” original. O LP foi lançado em dezembro de 1982, pela Epic (selo da então CBS, que depois virou Sony e hoje é Sony-BMG), quando eu tinha 6 anos. Apesar de tão novo, lembro como se fosse hoje do clipe da canção-título passando no “Fantástico”. Deve ser porque fiquei um tanto impressionado com aquela clima sinistro (confesso que até hoje a risada de Vincent Price não me soa agradável).

Aquele foi o segundo trabalho de Michael Jackson com o mago da black music Quincy Jones e o sexto álbum solo do cantor. Foram gravadas apenas nove músicas, uma melhor que a outra. Michael Jackson compôs quatro: “Wanna Be Startin’ Something” e “The Girl is Mine” (clássico dueto com Paul McCartney, que se repetiria um ano depois em “Say, Say, Say”, gravada pelo ex-Beatle), no lado A; “Beat It” e “Billie Jean” no lado B. Completavam o repertório “Baby Be Mine”, “Thriller”, “The Lady in My Life” – todas de Rod Temperton (as duas primeiras, presentes no lado A) – “Human Nature”, de Steve Porcaro e John Beltis, e “P.Y.T. (Pretty Young Thing)”, de James Ingram e Quincy Jones.

“Thriller” é uma obra-prima, uma relíquia. Não foi à toa que passou da marca de 100 milhões de cópias vendidas, permanecendo até hoje no “Guinness Book” como o álbum mais bem-sucedido da história. Também foi o único a ficar dois anos seguidos (83 e 84) entre os dez discos mais vendidos nos Estados Unidos e rendeu a Michael Jackson o recorde de estatuetas numa única edição do Grammy: oito, de 12 indicações, em 84.

Das nove faixas originais, cinco foram repetidas na excelente coletânea “History”, que MJ lançou em 1995: “Wanna Be Startin’ Something”, “The Girl is Mine”, “Thriller”, “Beat It” e “Billie Jean”. Mas outras duas são grandes sucessos até hoje executados à exaustão nas rádios: “Baby Be Mine” e “Human Nature”, que tem a participação do percussionista brasileiro Paulinho da Costa. Ele também compõe a banda que gravou “Wanna Be Startin’ Something”. Eddie Van Hallen fez os solos de guitarra de “Beat It” e Janet e Latoya, irmãs de Michael Jackson, integraram o coral feminino de “P.Y.T.”.

É melhor parar por aqui. O álbum mais vendido do mundo ainda guarda muitas outras histórias e curiosidades, algumas espalhadas pelos sites da grande rede, outras guardadas com o autor. Informações que já estão eternizadas em forma de música, mas que ainda assim serão transmitidas de forma escrita ou falada geração após geração, mesmo que Michael Jackson não queira.





Fernandão solo

Depois do sucesso de Rodrigo Santos – que vai gravar DVD em dupla com George Israel, do Kid Abelha – outro barão-vermelho busca espaço fora da banda, que está parada porque Frejat prefere se dedicar à carreira solo.

O boa-praça Fernando Magalhães lançou em outubro do ano passado, pela internet, seu primeiro CD, que leva o nome dele. Na próxima terça-feira, 19 de fevereiro, Fernandão, como é conhecido pelos fãs do Barão Vermelho, faz show de lançamento no Cinematèque, em Botafogo, no Rio.

O guitarrista do Barão será acompanhado por Roberto Lly (baixo e vocal), Marvio Fernandes (guitarra e vocal), Sérgio Villarin (teclados) e Pedro Strasser (bateria). Imperdível! Confira abaixo o serviço completo:

Fernando Magalhães
Dia 19 de fevereiro – terça-feira - 22h
Cinematèque Jam Club
Rua Voluntários da Pátria 53
Tel: 2286- 5731 / 3239-0488
Couvert: R$24 e R$18 (até 21h)